O novo mundo da comunicação
O mundo da comunicação não vai voltar a ser o que era antes da crise, escreve hoje no Blue Bus, Marcelo Coutinho. Segundo ele, 3 grandes temas dominaram os 27 seminários, debates e 4 workshops de que participou em Cannes:
• a quebra de barreiras;
• a necessidade de envolver mais os consumidores com as marcas;
• e a percepção que o mundo da comunicação não vai voltar a ser o que era antes da crise financeira.
As premiações de certa forma refletiram também esse alinhamento, explica Marcelo Coutinho, que fez um trabalho bem bom na cobertura de Cannes. O que ele diz está em sintonia com a visão de Carlos Henrique Vilela (veja post abaixo). Esse é o resumo que o Marcelo Coutinho fez das principais conclusões. Reproduzo aqui pois considero o assunto de vital importância para o mundo da comunicação.
• A quebra de barreiras em termos de integração de mensagens, mídias e processos de trabalho foi evidente nas falas de algumas agências e principalmente dos anunciantes. Tanto no debate de Martin Sorrell com os responsáveis globais pelo marketing da J&J, Procter, Mcdonalds e Kraft, como nas participaçoes de diretores de outras empresas (Coca-Cola, Nike, HP), “bring down the media silos” - foi uma das frases mais repetidas.
• A previsão de Steve Ballmer (“em 10 anos tudo vai ser digital”) não é consensual. Do ponto de vista dos anunciantes, a questão é de integração. Não do “digital” com o resto ou “do resto” com o digital, mas do desenho de um todo coerente em termos de contatos com o consumidor. Uma coerência que eles reclamam ter dificuldade em obter nas agências. E que quando alcançada explica em parte o resultado do Grand Prix para a campanha de Obama, o bom desempenho da campanha ‘O melhor emprego do mundo’ e a presença, pela primeira vez, da categoria Relaçoes Públicas em um festival de publicidade.
• A necessidade de um maior envolvimento do consumidor com as marcas decorre da explosão de informação, conteúdo e mensagens possível com os novos formatos da mídia digital. Não a toa, o tema de “construir narrativas” sobre as marcas com a participação dos consumidores foi recorrente em diversas campanhas de destaque, como o case do Dark Night, a fala de Bizz Stone, fundador do Twitter, além de campanhas da Nokia, Coca, HP, Southwest Airlines, Dell e outras.
• A propaganda como simples “exposição de mensagem”, seja lá qual for o meio, vai perdendo sua eficácia a uma velocidade assustadora segundo a maioria dos anunciantes e agências presentes. Recomenda-se - ela tem que passar a gerar fatos e “economizar tempo” para os consumidores.
• Finalmente a crise, ou melhor, a questão de que a comunicação não irá se “recuperar” da crise. Neste ponto, todo mundo concordou com Steve Ballmer - estamos vivendo um momento de “reset” no modelo de negócios da publicidade, tanto por parte dos anunciantes quanto das agências. A previsao da PWC de que a partir de 2012 os investimentos em comunicação irao se estabilizar em um patamar menor que o verificado entre 2004/2007 foi endossada pela maior parte dos presentes.
• Entre os principais motivos está o fato de que os anunciantes estão cada vez mais confortáveis com ações digitais (em qualquer tela, não somente na do computador), que apresentam um custo menor do que as de mídias tradicionais. E também a percepção de que o consumidor está cada vez mais atento para a questão da responsabilidade sócio-ambiental não mais como apenas “um valor”, mas como ação “de fato”. E que possui “armas” digitais capazes de causar um dano irreversível para as marcas se o assunto não for tratado de forma honesta e transparente. O resultado? “O fim das marcas que falam por falar”, na opinião de Nigel Morris, da Isobar.
4 de Julho de 2009 @ 20:35
Flávio, muito bom o seu blog. Já virou referência sobre novas mídias - vou me atualizar sempre por aqui, bjs