iPad é outra coisa
Em 1988 eu ouvi de Juan Antonio Giner, presidente e fundador do Innovation Internacional Media Consulting Group, em uma conferência organizada pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), no Rio de Janeiro, que o jornalista do futuro deveria ser WEDMM, (writting, editing, design multimedia). Ou seja, um sujeito capaz de apurar, escrever, editar, desenhar em qualquer meio.
De lá pra cá, o mundo conheceu a convergência multimídia via internet. E, cada vez mais, as informações chegam via mobile multimidia. O iPad é uma ferramenta desse mundo. Ao incorporar uma bookstore online, a Apple associa ao mundo informativo o quesito que faltava para que a informação em tempo real chegue às nossas mãos através de um dispositivo fácil de carregar, simples de operar e, ao mesmo tempo, cheio de opções.
O iPad é jornal. É também revista. E TV. E video. E conexão web. E livro. E música. E fotos. Do jeito que estou vendo, ele não foi feito pra fazer jornal. Eu não preciso de uma impressora gigante pra produzir um jornal diário. Basta comprá-lo na banca. Eu não preciso de um multicomputador cheio de recursos pra ler minha revista online. Nem preciso de um estúdio pra ouvir minhas músicas preferidas.
Esse novo dispositivo é um desafio para jornais, jornalistas e produtores de informação de qualquer espécie. A consultoria iA deu o tom ao lembrar que a meta agora é produzir informação de qualidade para essa nova forma de conexão. O iPad mexe com as compreensões de jornalistas e empresas de comunicação. E não é por acaso que o NYTimes trabalhou junto com a Apple criando um produto específico para o iPad.
Pouca gente acreditou que o iPod poderia revolucionar o mercado da música. No lançamento do iPhone menos ainda acreditaram que aquela caro e esquisito fone fosse virar de ponta cabeça o mundo dos mobiles. O iPad é óbvio para quem, como eu, usa um iPhone. É uma ferramenta formidável para quem gosta de se informar.
Do jeito que estou vendo agora, o iPad é outra coisa.