Redes sociais: a web semântica
Em um interessante e bem fundamentado artigo publicado esta semana pelo SFGate, o jornalista Benny Evangelista faz uma profunda análise a respeito dos dados divulgado pelo site Compete, especializado na análise do tráfego web, que mostram uma mudança de tendência na internet: segundo o relatório, o Facebook direciona mais visitantes para os grandes portais que o Google.
Talvez isso explique porque o Google está investindo cada vez mais forte nas mídias sociais. O lançamento do Buzz, a tentativa com o Wave e outras ações demonstram uma atenção de uma companhia que ganhou o mundo web com robôs de busca e, agora, amplia suas ferramentas de interatividade. Alguns especialistas, segundo o artigo de Evangelista, dizem que as mídias sociais se tornarão o próximo mecanismo de busca da web.
De certa forma, ao menos pra mim, isso já vem acontecendo há algum tempo.
No início da web (ou pouco antes da www tomar conta das conexões) a busca se dava via mecanismos como o Gopher, capaz de listar com certa precisão o que havia disponível naquele mundaréu de informações digitais. Em com a web dominando o cenário, vieram o Altavista, que foi durante algum tempo a bússula dos pioneiros, Yahoo e, por fim, o dominante Google, capaz de indexar a internet em segundos com uma precisão assustadora.
Mas robôs ainda não conseguem distinguir, por exemplo, a rua do Javali, a carne do Javali, o sobrenome Javali e o edifício Javali. Uma simples busca no Google nos mostra milhares e milhares de informações, organizadas apenas pela ordem do Google. Uma ordem que nem sempre atende ao que estamos buscando. Por isso mesmo, criou-se a categoria dos especialistas em pesquisa web (SEO), pessoas capazes de fazer com que um site apareça nas primeiras páginas do Goggle, pois muito pouca gente se aventura além da página 3.
Com a conexão cada vez maior de pessoas na web e criação de ferramentas com o Facebook e o Twitter, a interligação de mentes ficou mais simples. A pesquisa web deixou de ser um mecanismo de indexação para se transformar num compartilhamento de conhecimento real. Milhões de pessoas vasculhando a web e pensando a respeito e contando pra mais gente que também lê e compartilha. Esses zilhões de cérebros criam uma inteligência coletiva com capacidade de aprendizado (ainda) impossível para robôs e mecanismos de indexação.
Eu, habitualmente, me informo via Twitter. Tenho eficientes editores vasculhando a web e me contando o estão vendo de mais interessante. Eu também leio, edito e compartilho; recebo feedbacks e sigo aprendendo. O artigo do SFGate, por exemplo, me foi indicado por Guy kawasaki. Essa imensa conexão traz uma nova perspectiva e mostra um caminho: a web semântica (de conteúdo), apontada como o futuro da rede, chega via cérebros conectatos em redes sociais.
Continuo examinando.